⚠️ Atenção: Esse texto na verdade é um tutorial! Divirta-se! :)
Quando começamos a aprender a programar, uma das primeiras descobertas que nos deparamos é que: as linguagens de programação são todas em inglês! Bom, pelo menos as que são utilizadas no mercado de trabalho.
Estatisticamente falando, apenas 5% dos brasileiros entendem inglês em algum nível, enquanto apenas 1% possui fluência. Ou seja, nem todos os falantes de língua portuguesa tem conhecimento do idioma inglês.
O que faz com que a pessoa aprendiz passa encontrar barreiras que a faça dispor mais esforço para desenvolver várias habilidades ao mesmo tempo (programar e aprender outro idioma concomitantemente). Ela terá dificuldades de lidar com recursos e instruções da linguagem de programação, o que poderá comprometer sua aprendizagem de lógica e algoritmos.
Aí tem-se a importância de existir uma linguagem como o Pituguês, em que a pessoa nativa em português consiga programar em sua língua mãe, eliminando a barreira idiomática.
Mas de onde vem o Pituguês?
Sua sintaxe é inspirada na da linguagem de programação Python que, embora seu nome faça alusão a uma espécie de cobra e seu símbolo seja composto de duas cobras em Ying & Yang, seus criadores eram muito fãs da série de comédia “Monty Python’s Flying Circus” e batizaram a linguagem com o nome de “Python”.
Pegando carona até mesmo no nome, se formos traduzir “python”, temos “píton”. Assim, para trazer a ideia de uma linguagem de programação inspirada em Python para a língua portuguesa, uniu-se “píton” + “português” que resultou em: Pituguês!
E, como comentamos, o Pituguês vai se inspirar e buscar trazer características do Python para português, como…
Tipagem Dinâmica
Quando lidamos com linguagem de programação, devemos lembrar que existem tipos diferentes de dados, como dados textuais, numéricos, binários e etc.
Algumas linguagens exigem que o tipo de dado seja declarado como, por exemplo, em Java, declaramos uma variável da seguinte maneira…
int numero = 2025;
String nome = "Java";
Note que, em Java, indicamos o tipo do dado (int, para números inteiro, e String para tipos textuais), escrevemos o nome da variável e, por fim, damos um valor a ela. Se formos comparar com Python, já possui uma diferença acentuada…
numero = 2025
nome = "Python"
Como podem ver, já não é necessário indicar o tipo da variável, pois a linguagem irá verificar isso automaticamente, é o que chamamos de “inferir tipo”.
No Pituguês, não vai ser diferente, a nossa declaração de variáveis também vai inferir o tipo, mas com alguma pequena diferença na sintaxe…
var numero = 2025
var nome = "Pituguês"
Indentação
A indentação nada mais é que o aninhamento de trechos de código que, no caso do Python, se dá através de espaçamento (ou tabulação), ela tem o objetivo de determinar quais linhas de código pertencem a um bloco lógico, definindo a estrutura e hierarquia, como no exemplo a seguir:

Ou seja, declaramos a nossa função e, em seguida, escrevemos os dois pontos e, logo abaixo deles, com certo espaçamento, começamos a escrever o que a nossa função irá executar. Dessa forma que definimos o escopo e a hierarquia do código, determinando em que momento o trecho de código é iniciado e finalizado.
Caso a indentação não seja feita da maneira correta, o próprio Python irá nos sinalizar com uma mensagem mais ou menos assim:

Repare que a função “print” é chamada após a declaração de uma função, mas não possui um espaçamento que indique que ela pertence àquela função que declaramos. A própria linguagem Python vai nos sinalizar este erro de escrita ao sublinhar a palavra “print” e quando direcionamos o cursor do mouse nela, nos é mostrado uma caixa de diálogo que nos avisa a ausência da indentação, nos impedindo de executar o código.
Assim como Python, o Pituguês também herdou esta característica que deve ter sua sintaxe respeitada para que o programa seja executado:

Orientação a Objetos
A linguagem Python também contempla a Programação Orientada a Objetos (POO), que é um paradigma que nos permite uma forma de organização do programa em que podemos isolar trechos de código independentes, assim podemos proteger esse código e reutilizá-lo, além de torná-lo de fácil manutenção, uma vez que a escrita de uma parte do programa não impactará diretamente em outra.
Isso que a POO possibilita tem sua definição através dos pilares de abstração, encapsulamento, herança e polimorfismo que não vamos nos estender sobre estes conceitos, mas, caso não te sejam familiares, recomendamos a leitura deste artigo para deixar seu entendimento mais claro.
Embora o Pituguês também tenha herdado a POO do Python, ela ainda se dá de forma um pouco mais simplificada. Até o momento, podemos declarar classes mães e filhas que herdam características umas das outras, possibilitando reaproveitamento de código, como podemos perceber no trecho de código a seguir:

Repare que criamos uma classe “Animal” e depois indicamos ela entre parênteses após declarar a classe “Cachorro”. É assim que definimos qual classe irá herdar características de outra, sendo chamadas de “filha” e “mãe”, respectivamente – bastante similar a como Python aplica herança em POO.
Ao usarmos a função “super” dentro da função “construtor” na classe filha (classe Cachorro), estamos chamando para ser executado o que foi desenvolvido na classe mãe. Além disso, desenvolvemos uma função independente para a classe filha que, ao criarmos o objeto “cachorro” e chamar a função “minha_especie()”, quando o código for executado, irá exibir os dois textos desenvolvidos em cada classe separadamente.
Pituguês X Python
Como pudemos ver ao longo do artigo, Pituguês é inspirado em Python. Contudo, para além das traduções de termos, possui algumas diferenças que são perceptíveis no exemplo a seguir, em que, à esquerda, temos um código em Pituguês e, à direita, um código em Python:

Uma das primeiras coisas que podemos notar de diferença é em como começamos a declaração de uma função. Enquanto Python usa o termo “def”, que vem de “define”, uma abreviatura de “defina” para “definir uma função”, Pituguês já opta por uma palavra reservada mais direta em que a pessoa falante de português consegue identificar mais facilmente e intuitivamente que se trata da declaração de uma função.
Também podemos notar a diferença entre as formas de interpolação (a mescla entre um texto e um dado). Pituguês possui uma interpolação muito semelhante a de Javascript e Typescript em que temos um texto e o trecho a ser interpolado é indicado entre o sinal de dólar e um par de chaves – ${ }. Enquanto Python sinaliza sua interpolação com o que chamamos de “f-strings”, em que indicamos a letra “f” antes do texto e, no meio do texto, usamos um par de chaves – { } – para adicionar o valor a ser mesclado no texto.
Além disso, a declaração de variável no Pituguês exige que o termo “var” preceda a declaração do nome da variável, ao passo que isto não funciona na sintaxe de Python.
Mas como posso usar o Pituguês?
Bom, a instalação dele é bem simples, mas, primeiro, lembre-se que você precisa ter o Visual Studio Code em sua máquina e criar um projeto do zero.
Instalação
- Abra seu VS Code, vá até a aba de extensões:

- Busque por “pitugues” ou “design lliquido” para encontrar a extensão “Design Líquido – Linguagens em Português” e clique em “Install”:

Pronto! Agora, você já testar a linguagem na sua máquina!
Tutorial Prático: Programando com Pituguês
Depois de instalar a extensão e criar um novo projeto, nós vamos:
- Criar arquivos no diretório raiz do projeto, como, por exemplo:

A linguagem permite que você escolha entre dois nomes de extensão de arquivo, pode ser “pitugues” ou “pitu”, fica a seu critério 🙂
- Agora, já pode começar a escrever seu código dentro de um dos arquivos, assim:

- Para executar seu código, você vai abrir aba de depuração:

- Selecione o botão “Run and Debug” e, finalmente, na aba do terminal “ENTRADA E SAÍDA” você vai poder ver seu código executando!

Pituguês Web
Agora, se você quiser experimentar um pouco do Pituguês sem precisar instalar no seu computador, também temos a versão web dele! Lá você pode brincar e descobrir a linguagem de uma maneira mais rápida.
Você pode acessar o Pituguês Web por este link!
Para saber mais…
Quer se aprofundar no Pituguês e descobrir tudo o que ele oferece?
Você pode acessar a documentação neste link! Você poderá conhecer diversos detalhes e exemplos de código que vão bem além do que te apresentamos por aqui!
Lá você encontra tudinho: explicação da sintaxe, estrutura da linguagem e vários exemplos práticos pra ver o Pituguês em ação.
Tentou codar com Pituguês e encontrou algum impedimento?
Assim como Delégua, Pituguês é uma linguagem de Código Aberto e ainda está sendo desenvolvida, então, pode ser que você tropece em alguns bugs da linguagem.
Para estas situações, você pode reportar seu problema para gente de algumas formas…
Na Comunidade do What’sApp da Cumbuca Dev, temos um grupo só para o Pituguês!
Você também pode reportar os bugs que encontrou pelo GitHub, seja abrindo uma issue ou uma discussion.
O Pituguês é uma iniciativa feita pela comunidade, para a comunidade e toda contribuição conta! 🐍💜
É uma linguagem que está em constante transformação e vocês podem acompanhar junto com a gente todo esse processo!
Você pode participar de várias formas:
💡 compartilhando ideias e sugestões;
🐞 reportando bugs ou dificuldades;
🗣️ iniciando conversas e levantando dúvidas;
🧩 propondo melhorias ou colaborando no código-fonte.
Cada interação ajuda a fortalecer a linguagem e o propósito por trás dela: tornar a programação mais acessível e inclusiva para todas as pessoas.
Se quiser contribuir diretamente no código, temos um guia completo pra te ajudar passo a passo.
👉 Como contribuir com o Pituguês
Junte-se a nós e ajude a construir o Pituguês — uma linguagem feita com comunidade, propósito e muito coração. 💜





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