Ok, claramente o título deste artigo é um clickbait, mas se você não é gamer, pode continuar lendo este artigo porque eu acho que você vai se identificar com o tema também.
Quando participamos de um processo seletivo, geralmente ocorre um checklist das ferramentas que o projeto utiliza e as ferramentas com as quais você já trabalhou em outros projetos. Muitas vezes, o candidato é escolhido de acordo com o quanto esse checklist é preenchido. No entanto, se pararmos para refletir por um minuto, veremos que isto não é bom nem para a empresa, nem para o candidato.
Vamos começar pelo mais óbvio. Ao escolher um candidato com base apenas nos seus conhecimentos técnicos, estamos ignorando questões comportamentais e outras características que podem ou não estar alinhadas com a posição. Eu já comentei sobre isto no artigo sobre os Code Challenges. Porém, é necessário também pensar que este checklist das ferramentas demonstra se o candidato possui um bom fit técnico para aquele momento do projeto. Ferramentas podem mudar ou, ao menos, sofrerem atualizações. O candidato pode ser um bom fit naquele momento, mas quando o projeto acabar, ou sofrer uma grande alteração? Só nesse momento é que a empresa vai avaliar se o candidato é capaz de se adaptar? Além disso, se a empresa contrata um candidato apenas pelo checklist técnico, certamente não está em busca de candidatos que sejam capazes de sugerir ferramentas melhores.

Chegamos agora na parte em que relacionamos o assunto com o título do artigo. Eu adoraria que os recrutadores me perguntassem sobre os jogos que eu já platinei. Para aqueles que não fazem parte do mundo gamer, platinar é um termo usado quando você consegue completar todos os desafios ou conquistas de um jogo (eu também não faço parte desse mundo, mas conheço esse termo 😅). Isso porque eu poderia dizer orgulhosamente que eu conquistei os cinco pantheons do Hollow Knight (sim, parte da motivação para escrever esse artigo foi só para poder compartilhar isso). Mas por que isso seria relevante? Acho que esse jogo demonstra muito da minha personalidade e como eu enfrento os desafios. É um jogo extremamente difícil que exige que você tenha paciência e muita insistência para conseguir desenvolver estratégias e reflexos para cada inimigo diferente. Acho que nada representa melhor o meu estilo profissional do que isso! Eu não sou a pessoa brilhante que consegue resolver os problemas de primeira. Eu sou a pessoa perseverante que tem paciência de me desenvolver aos poucos até conseguir superar os obstáculos, não importa o quão difícil eles sejam.

Obviamente, este caso se aplica muito bem à mim, mas tenho certeza que você também tem algum hobbie que seja um perfeito exemplo de como você lida com os desafios profissionais. Pode ser que o seu hobbie de pintura demonstre bem a sua capacidade de se concentrar e ter atenção aos detalhes, ou o trabalho voluntário que você faz demonstre a sua capacidade de se relacionar com pessoas diferentes e trabalhar em equipe, ou ainda gostar de participar de maratonas, que assim como o jogo que eu mencionei, demonstra paciência e dedicação no processo de preparação, além de uma forte capacidade de concentração durante a corrida.
É claro que eu já passei por algumas entrevistas em que me perguntaram sobre os meus hobbies e sobre “quem é o Rafael fora do trabalho”. Porém, além de estar longe de ser algo comum de ser perguntado durante as entrevistas, não sei até que ponto isso realmente é levado em consideração pelo entrevistador. Aqui eu devo confessar que nas raras vezes em que me perguntaram sobre os meus hobbies, eu sempre tentei passar uma imagem de que “sou uma pessoa como qualquer outra”. Falo sobre os livros e os filmes que costumo assistir, sobre o tempo que passo com a minha família, mas acho que isto realmente sou “eu fora do horário de trabalho”, nada disso diz como eu costumo enfrentar os desafios. Da próxima vez que me perguntarem sobre os meus hobbies, direi: sou uma pessoa que gosta de passar um tempo com a família, ler livros, assistir filmes e que conseguiu passar do quinto pantheon do Hollow Knight! E é por isso que eu gosto de escrever esses artigos, me fazem refletir enquanto eu escrevo.

Enfim, esse artigo foi apenas uma grande reflexão sobre os processos seletivos que focam no match do conhecimento técnico do candidato com as ferramentas que o projeto demanda. Com o tempo o projeto pode mudar de ferramentas e tanto o candidato pode não se sentir mais confortável no projeto quanto a empresa pode também não entender as dificuldades que o profissional está enfrentando. Portanto, precisamos ir além do checklist de conhecimento nas ferramentas do projeto.


Deixe um comentário